lunes, 10 de octubre de 2016

EL POEMA "SYNTRA", BILINGUE: LATÍN-PORTUGUÊS.



La traducción del poema al idioma portugués fue realizada por el padre Fiadeiro, según señala el Conde de Sabugosa, en su libro "O Paço de Cintra: desenhos de Sua Magestade a Rainha dona Amelia", en el Documento IV.

Cfr.: Sabugosa, Conde de. O Paço de Cintra: desenhos de Sua Magestade a Rainha dona Amelia. Lisboa: Imprenta Nacional, 1903, pp. 255-257.




«Est locus, occiduas ubi sol æstivus ad oras
Inclinat radios, nocte premente diem:
Oceanumque petit, curruque invectus eburno,
Iam cursu lassos æquore tingit equos.
[005] Vallis ibi inclusa, scopulis ad sidera ductis,
Deflectit clivos: murmurat intus aqua.
Obiicit Oceano molem, ternæque minantur
Supernae [Excelsæ] rupes tangere tecta poli.
Et nisi condensi cingant fastigia nimbi,
[010] His cælum credas sistere verticibus.
Rupibus his Fauni, sunt hic quoque lustra ferarum,
Venator matres figat ubi et catulos.
Inferne viridi densantur robora fronde:
Silvano et Satyris efficit umbra domos.
[015] Populus hic, corylique decus, fagusque pirusque,
Et cerasus, prunus, castaneaeque nuces,
Et plantæ innumeræ mortalibus esca beatis,
Quæ sunt divorum munera non hominum [cælicolum].
Flava Ceres dextra mortales volvere [vertere] terram,
[020] Et serere, et messes condere, sponte docet.
Pan læva, Arctoum mundus qua surgit ad axem,
Pascere dat passim gramine posse pecus [gramina læta gregi].
Citrea mala rubent, vallis qua tendit ad imum,
Qualia fert rutilans hortulus Hesperidum:
[025] Et lauri frondes, victorum premia quondam,
Quæque poetarum texere serta solent:
Et myrtus Veneri sacra crispatur in umbra:
Cuncta placent fructu, floribus ас redolent.
Hic philomela canit, turtur gemit atque columba:
[030] Nidificant volucres, quotquot ad astra volant.
Silva avium cantu resonat, florentia subtus
Prata rosas pariunt, liliaque et violas,
Fragrantemque thymon, mentam, quoque pullegiumque [roremque marinum],
Narcyssum et neptam, basylicumque dium [sacrum]:
[035] Atque alios flores, ramos herbasque virentes,
Terra creat pinguis vallibus ac nemore.
Quis passim Dryades capiti cinxere corollas,
Et Fauni et Nymphæ cornigerique Dei.
Ast ubi devexam [præcipitans] leni fluit unda susurro
[040] Per vallem umbrosam rupibus alta cadens [aeriis]:
Stagna replet, pulchræ mersant ubi corpora Nymphæ,
Aurora aut splendet, seu regit umbra polum:
Regia celsa lacu supereminet, unde comantem
Prospiciat [Prospectat] silvam candida virginitas.
[045] Hinc ego prospiciens, oculis dum singula lustro,
Naturæ admirans munera, delitias,
Liquerat Auroram Cephalus, vultuque rubenti
Illa aperit terras, pandit et illa polum:
Emersit stagnis subito pulcherrima Nympha
[050] Tunc forma referens, corpore, voce deam.
Suspicit, adloquitur que ultro me in arce [hac voce] sedentem
Vocibus his: “Salve grata puella Diis [Deis].
Pectore quid volvia, Sygea, de Principe tanta [Quid tecum, SYGEA, putas? Tu principis almæ]
Arcibus his posita [spectans] noscere fata cupis?”
[055] Tunc ego: “Si superi firmarent numine quantum
Exoptem, dominant tollere ad astra velim,
Tu que cesariem [О quæ cæsarie], vultumque, oculosque sinusque [vultuque, oculisque, sinuque],
Et certe incessu tu mihi tota Dea es! [diva videre mihi!]
Nympha loci custos, vitreo quæ gurgite lymphas
[060] Concipis, et Divum pandere fata potes:
Tu mihi fatorum seriem, quæ regia virgo
Regna manet, resera, quive [quosve] manent thalami [manet thalamos?]
Illa libens roseo ( dum sic loquor) intonat ore:
“Quod, virgo, rogitas, accipe, nec dubita.
[065] Neptunus genitor nuper me ad alta [summa] tonantis
Atria deduxit [perduxit] concelebrata Diis [Deis].
Consedimus [Constiterant] cuncti ambrosia cum nectare pasti [vescentes nectare, пес non]
Virginis et dulces fata levant epulas [Ambrosia: at postquam mensa remota fuit],
Digna petunt divi regali in principe dona,
[070] Imperio ut superet, quas superat meritis.
Docta Minerva aderat, Musaeque [cantusque] inventor Apollo,
Calliopeque primi, pignora grata Iovi [Nec non Calliope, pignora chara Iovis].
Quos coluit virgo, quorumque exercuit artes,
Hicque vicem referunt prospera cuncta petunt [Illi gratantes munera pulchra petunt].
[075] Iuppiter his ridens [adridens] vultu, quo sidera lustrat,
Respondet Divis, qui petiere simul:
“Gaudete, o Superi: perstant [perstare] immota potentis
Principis augustæ maxima fata vobis [volo].
Nec, licet adspiciat quasdam nunc carpere regna,
[080] Desperet: capient mox sua fata locum.
Nonnisi per magnos vincuntur magna labores:
Nec tulit ignavos regia celsa Deos.
Quosque aliæ sponsos captant [captent], visuntur ubique:
Quem sibi fata parant, nonnisi summa tenet.
[085] Нæс reget imperium felix, quum nupserit, orbis:
Pacatus dominæ cedet uterque polus.
Vade ergo, et timide referes [referas], quæ diximus, ore
Fatidico, ut lætos exigat illa dies.
Nec sis sollicita, aut metuas prædicere fata:
[090] Succedent votis ordine cuncta tuis.”
“Augurii, repeto, tempus mihi, Nympha, recense.”
“Recte, inquit, rogitas: tempora nosse opus est.
Nam Pater Omnipotens, epulis de more solutis,
Fatorum superis tempora certa dedit.
[095] Antequam rapidum volvat Sol aureus axem [Ante polum quam sol circum volvatur utrumque],
Sæpius a Cancro versus ad Ægoceron,
Quæ cecini, venient: voti rea maxima princeps
Ante aras [aram] supplex tunc pia thura feret.
Dixerat, et liquidas resilit Dea rursus in undas,
[100] Præcipiti et saltu gurgite mersa latet.
Ast ego, quæ Infantis causa dubitare solebam
Antea, tunc rediens omine certa fui.
Mercurium, credo, Nymphæ sub imagine Olympo
Demissum, ut Dominæ sic mihi fata canat.
[105] Nunc supplex tendo iunctas ad sydera palmas
Pro tali augurio; nec mihi cassa fides.
Нæс ego cum videam [quum cernam] compleri in Principe vates,
Inter cælicolas tunc mihi locus erit cælicolas [ Spero cælicolas inter habere locum]

Junto às praias do ocidente, onde o sol, ao aproximar-se a noite, já demanda o oceano, e levado no seu carro ebúrneo, quase toca o imenso mar, com os seus cavalos cansados pela longa carreira, fica um lugar, onde um vale ameno, por entre rochedos que se elevam até aos céus,
[005]
se recurva em graciosos outeiros, por entre os quais se sente o murmurar da água. Circunda o oceano a imensa mole, e três píncaros elevadíssimos guindam-se até aos astros, a ponto de, quando densas nuvens os não coroam, chegarmos a acreditar que o céu assenta sobre tais colunas.
[010]
Vivem os Faunos nestas solidões, as quais servem de abrigo às feras, vindo frequentemente os caçadores armar laços às mães e aos filhos. Na parte inferior, os carvalhos apinham-se no meio de densa folhagem, fornecendo a sombra amplas casas para Silvano e para os Satyros. Aqui se encontram em grande número, o choupo, a aveleira, a faia, a pereira,
[015]
a cerejeira, a ameixieira, os castanheiros, e inúmeras outras árvores que dão alimento aos felizes mortais, tudo dádiva dos Deuses do céu. À direita, a flava Ceres espontaneamente ensinou os mortais a lavrar os campos, a semeá-los, e a formar as searas.
[020]
Do lado esquerdo para a parte do norte, a cada passo oferece Pan amplas pastagens para os rebanhos. Às faldas da serra ostentam-se viçosos limoeiros, tão belos quanto os costuma produzir o jardim das Hespérides. Aqui se encontram as folhas do louro, outrora prémio dos vencedores,
[025] com as quais ainda hoje os poetas costumam cingir as suas frontes, e cresce abundantemente a murta, tão querida de Vénus; tudo, enfim, nos encanta e perfuma o ambiente com a sua fragrância e com os seus frutos. Ressoam os bosques com os gorjeios do rouxinol, geme a rola, e a pomba, e fazem ali seus ninhos todas as aves que voam pelo espaço, no meio de um chilrear ensurdecedor.
[030] Nos prados florescem as odoríferas rosas, os lírios, as violetas, o fragrante tomilho, a hortelã, o alecrim, o narciso, o poejo bravo, a videira sagrada, e muitas outras flores, ervas e arbustos


[035] que a terra fertilíssima produz, nos vales, e nas selvas, com que a cada passo ornam as suas frontes as Dryades, os Faunos, as Ninfas, e os Deuses cornígeros. Corre a água cristalina com brando murmúrio pelo meio do vale sombrio, por entre enormes rochedos,


[040] e nos pequenos lagos que ela forma, costumam vir banhar-se as formosas Ninfas, no romper da aurora, ou mesmo ainda quando a noite tem o seu manto estendido pela serra. Sobranceiro a um destes lagos fica soberbo palácio, de onde a régia prole, na candura da inocência, desfruta o sublime panorama que lhe oferece a espessa mata.
[045] Enquanto eu daqui espraiava os olhos por todo o horizonte, admirando tanto mimo, tantas delícias da natureza, Céfalo tinha deixado a Aurora, e ela ruborizada começou a iluminar as terras afugentando a noite. Então repentinamente, de um dos lagos, levanta-se uma Ninfa com um corpo e uma voz divina, olha, e

[050] assim se me dirige, espontaneamente com estas palavras amigas: ‘Salve! donzela, que tão grata és aos Deuses. Em que pensas, ó Sigeia? Habitando nestas altas mansões, desejas conhecer os destinos da tua querida princesa?”



[055]Então eu: ”Se os Deuses despachassem favoravelmente os meus desejos, levantaria até aos astros Senhora tão excelsa. Ó Ninfa, guarda deste recinto, que semelhas urna deusa com essa tua formosa madeixa, nesse teu rosto, nos olhos, no seio e mais que tudo no teu majestoso porte,


[060] tu que reúnes as águas no vítreo pego, e tens poder para revelar os destinos dos Países, diz-me para que reinos e para que tálamos está destinada a princesa real’. Enquanto assim falo, ela alegre solta dos róseos lábios as seguintes palavras: “Ó Donzela, ouve a resposta ao que me perguntas e não duvides:
[065] O Pai Neptuno conduziu-me há pouco até aos remontados paços onde Júpiter costuma reunir os deuses.
Lá os vi todos libando o néctar precioso e a ambrósia: terminado o banquete, os Deuses imploram para a princesa dons régios, que a façam avantajar-se em poder a



[070] quantas excede já em merecimentos. Achava-se presente a douta Minerva, Apolo inventor do canto,
e também Calíope, todos estimadíssimos de Júpiter, e também estimados da princesa, cultora exímia das suas artes. Agradecidos portanto eles pedem dádivas extraordinárias.



[075] Júpiter com o sorriso com que ilumina os astros, responde assim á súplica unânime dos Deuses: — Alegrai-vos, ó Deuses! Sabei que é minha vontade que fiquem inabaláveis os destinos da augusta e poderosa princesa. Não desespere, embora veja que outras princesas a vão precedendo no trono:
[080] a seu tempo os destinos dela assumirão o seu lugar. As grandes coisas só se alcançam por meio de grandes trabalhos: nem o régio Olimpo detém os Deuses inactivos; por toda a parte são vistos os esposos que outras hão-de tomar, porém aquele que os Fados lhe destinam a ela, só o sabem as mentes celestes.
[085] Depois, feliz, quando casar, terá o império do mundo; e um e ouro hemisfério pacificados, curvar-se-ão diante da sua Senhora. Vai pois, e conta-lhe com discrição o que te acabámos de vaticinar, para que ela passe os dias tranquilos. Nem fiques com cuidados, ou temas relatar-lhe os destinos:
[090] todos os teus desejos se irão gradualmente realizando." - “Todavia, diz-me ó Ninfa, encarecidamente to peço, o tempo do presságio». «Perguntas bem; é necessário conhecer também os tempos; porque o Pai omnipotente, levantada a mesa, os marcou nos deuses.
[095] Antes que o sol da primavera se volva por sobre um e outro pólo, muitas vezes de Câncer para Capricórnio, sucederão todas as coisas que profetizei. A ilustre princesa, então, irá súplice diante dos altares oferecer os seus votos, juntamente com o incenso”. — Assim falara, e a Deusa, de novo salta para as líquidas aguas



[100] e veloz na carreira, esconde-se no pego. E eu que de tudo costumava duvidar em atenção à Princesa, voltei depois segura do vaticínio. Creio que Mercúrio foi mandado do Olimpo sob a forma de uma Ninfa, para me predizer o futuro da minha Senhora.


[105] Agora, suplicante, levanto para os céus as minhas mãos por tão feliz acontecimento, porque, em verdade, não me falece a crença. E quando eu vir já tudo completamente realizado na Princesa, espero então obter um lugar entre os habitantes do céu.





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